sábado, 5 de março de 2011

VAMOS CAIR NA FOLIA

VAMOS CAIR NA FOLIA Aqui no Rio de janeiro, é assim: Feriado é a regra, dia útil é esceção. Mas isso que poderia ser uma marca ruim, se bem observado, acaba sendo de grande valia, se não vejamos: É o lugar do Brasil onde menos as pessoas sofrem de estresse; É o lugar do Brasil onde a felicidade é geral; É o lugar do Brasil onde a população está passando dos 100 de vida com facilidade, e só procurar nas novelas das 6, 7 e 8 e lá estão atrizes acima dessa idade e bem faceiras, vide Natália do Valle, Natália Timberg, Laura Cardoso, Elizângela que até dia desses com seus 8 ou 9 aninhos se apresentava no filme "O enterro da cafetina"; É o lugar do Brasil com o maior número de academias de ginástica, pois que não tendo que trabalhar, apopulação precisa se exercitar de alguma forma; É o único lugar do Brasil onde até a bandidagem caiu no marasmo, levando os valorosos e recém formandos da corporação militar ao ócio total. Pois que jamais, sequer, tiveram de dar um tiro ou efetuar uma simples prisão, haja visto que os meliantes bateram em retirada e a tranquilidade reina absoluta nos territórios UPPzados. Aqui anda tudo tão calmo, que até a presidenta que calça 44, sem ter do que se ocupar em sua visita oficial à cidade, resolveu fazer ovo frito num programa de televisão, e olha que quase ela conseguiu! Mas também ninguém "esquentou" com isso. Aqui é assim: Quando ovo frito dá errado logo o transformamos em ovo mexido e a vida segue sem mais transtornos, afinal era uma segunda-feira e segunda-feira, aqui, é apenas o quarto dia do final de semana, o primeiro é sexta! Aqui é o lugar do Brasil onde menos se morre de infarto, doença de quem muito trabalha. Os Arquitetos e Construtores Celestiais encarregados da tarefa Guanabarina, capricharam. Colocaram praias em quase toda volta da Freguesia de São Sebastião do Rio de Janeiro, e onde faltou praia colocaram o piscinão de ramos, o piscinão de deodoro, o piscinão da Pça da bandeira...Essa "turma" sabia das coisas, e ainda colocaram as terras cariocas a 700 km de distância da terra dos Bandeirantes, O lugar onde mais se trabalha no Brasil. E nesses dias momescos o único que pretende quebrar a regra é o nosso Alcaide. O rapaz prometeu "sapatear" em todas as Escolas desfilantes. E como são lá pela casa de 2 km de pista sambável por desfilada, o moço vai "ralar" brabo. Mas o garoto tá "cheirando à tinta" de tão novo e tem "caixa" física para tanto. Já o governante maior, e que já é mais "cascudo", recém chegado das férias de dezembro/janeiro nos States, e que teve de trabalhar duro esses 28 intermináveis dias de fevereiro, já se mandou para o paraiso de Angra, para o descanso oficial da folia. Eu mesmo, que já tenho mais de 6 décadas na certidão civil, e bordejo acá há mais de 4, e só escrevo em dias úteis, devo demorar à fazê-lo novamente. Vou descansar e sequer sei quando será o próximo dia válido. Pois que março tá indo pelo "ralo", abril que já se aproxima tem dia vermelho na folhinha a " dar com pau " ; Sexta Santa, Tiradentes; São Jorge, e olha que São Jorge dura quase dois dias, um para os foguetórios e outro para as missas, e ai d'aquele quenão folguear! Logo, logo chega maio com seu irônico " dia do trabalho" ! Agora, amigo e amiga leitores dessas minhas maltratadas (e maltratáveis) linhas, e que estão fora dos geo-limites da maravilhosa cidade e por quaisquer motivos, aqui não possam dar uma "pinta",eu aconselho: Coloque na vitrola o Hino Cidade Maravilhosa, "deite" num bom sofá, feche os olhos e se imagine zunzunzando atrás da banda de ipanema; vendo passar na Sapucay Beija-flor, Mangueira, Portela, Mocidade, Sal gueiro, Imperatriz, não necessáriamente nessa ordem (apenas a Beija- Flor continua necessáriamente nessa ordem e com essa grafia); Cami nhando do Leblon à Copa; tomando uma brahma geladíssima; fazendo um "aliviante" xixi atrás do banheiro químico; Levando umas duas ou três balas perdidas pelo corpo e... Pronto, você já é um " carioca" e já pode descansar em paz!

terça-feira, 7 de julho de 2009

JURIS ET DE JURI

JURIS ET DE JURI Aqui em Saquarema todo mundo é gente boa, alguns são mais gente boa ainda. Dias atrás encontrei com um desses. Por motivo que não sei explicar, atende por Faustão, apesar de compadre Otávio, este seu nome civíl, não ser lá muito gordo, nem bobo, não falar asneira, e nem sequer usar relógio como seu homônimo famoso. Mas como ia dizendo, trocamos um prazeiroso abraço e logo entramos nas conversas: Como vai fulano, sicrano, beltrano e tantas outras coisas, até que começamos a botar a conversa em dia. E compadre Otávio me conta um episódio de recente acontecido com êle. -Compadre eu passei dia desses por uma situação deveras embaraçosa. Fui tomado de surpresa quando bateu à minha porta uma equipe da Cia. de luz, que ali foram cortar meus fios. Bati a mão à testa pois havia esquecido de pagar conta vencida dias antes. Tentei convencer o rapaz do alicate de que devido a idade que já está avançada, acabei esquecendo do tal compromisso e que logo iria quitar a dívida que contava parcos $ 22,04. Mas o rapaz com seu alicate em riste e sem levar em conta meus argumentos me disse com voz enraivecida: -Esquecer não explica nem justifica, o senhor cometeu um erro ao não quitar a dívida de $ 22,04 e vai pagar caro por ele... Ajudante passe o corte no fio! Nessa altura da narrativa de fato tão constrangedor vivido pelo compadre Otávio, espoca no ar os fogos que anunciam a saída da procissão de São Pedro, padroeiro dos pescadores aqui da colônia de Saquarema e de todos os outros pescadores do mundo. Apressadamente me despeço do amigo e acordamos continuar a boa conversa dias pra frente. Os barcos enfeitados, padre e imagem do Santo à frente, começa o cortejo marítimo, que eu preferi acompanhar por terra, pois que é mais seguro, dada minha idade, meu estado físico e mental. Na chegada da " mareata " à capela: Rezas, ladaínha, discursos, sermão, cânticos, fogos e finalmente a festa, sem antes os pedídos cléricos de Paz e Proteção para Saquarema e de quebra para outras partes da Terra como Honduras e Coreia do Norte, que no momento encontram-se à domínio de loucos de pedra. ( não de Pedro ). Qunado do retorno para a residência, ainda ecoam em minha cabeça os fogos estourando para o Santo e a fala ríspida do rapaz da Cia. de luz para meu compdre, com seu alicate em riste lhe dizendo: Esquecimento é coisa que não tem perdão e por não pagar a conta de $ 22,04 vai ficar no escuro que é o que merece! Caro amigo, se estiveres lendo estas linhas, agora, com certeza não estaras contente e talves desapontado com o velho amigo, indagando o POR QUÊ ? Mas me apresso em te explicar: É que fato novo hoje divulgado pela imprensa vem em teu socorro e de tantos outros " esquecidos " de pequena monta ( $ ) inclusive eu. É que acabo de escutar notícia de que o criador dos "marimbondos de fogo" esqueceu de declarar para o Tribunal Eleitoral e para o fisco uma mansão de $ 4 milhões de reais, é isso mesmo, 4 milhões. E que só escrevo assim porque nem sei quantos zeros tem em 4 milhões. Sim, compadre o edil que se elegeu senador pelo Amapá, mas que pilantreia no Maranhão e em Brasilia e em outros cantos da terra de Vera Cruz, esqueceu de declarar uma pequena mansão de $ 4 milhões. Mas o que vem a nosso favor, pobres mortais, ( pois que o do bigodão e da inflação de 80% ao mês não o é) diz respeito a Nota Oficial publicada logo de pronto pelo Presidente de um dos Três Poderes da República, na caso O Senado Federal. Na nota diz entre outras que o Contador do ferrador de Pindorama apenas " ESQUECEU" de declarar, mas que isso não constitui crime nem contravenção nem nada, visto que foi apenas um "ESQUECIMENTO" e ponto. Por ser tratar de Sentença de um poder da República dos abacaxis, está criada uma JURISPRUDÊNCIA (Ciência do direito; Conjunto de soluções dadas às questões de direito pelos tribunais superiores; Interpretação reiterada que os tribunais dão à LEI, nos casos concretos submetidos ao seu julgamento). Para piorar o que já está ruim, o pato rouco e analfabeto, aquele que só faz o "O" quando senta, se apressou em levantar sua mão de quatro dedos e proferir: - Nunca na histíoria desse Pais o companheiro lá da terra da " marron" pode ser condenado por um simples "ESQUECIMENTO". E a Ministra que calça 41 bico largo e bate em quem cruzar seu destino, logo declarou: - Isso é coisa da oposição que não me quer ver Presidenta da ilha da Santa Cruz, Are baba! Oxalá meu compadre, agora estamos calçados para o que der e vier. Tirei cópia da Nota Oficial e plastifiquei, E que agora venham nos punir por um esquecimento qualquer, venha agora o rapaz da Cia. de luz cortar nossos fios, só porque esquecemos de pagar uma conta de $ 22,04, que lhe esfregarei nas fuças minha cópia plastificada da Nota oficial, subirei na primeira cadeira a meu dispor e após um peremptório discurso lhe direi em voz parecida com a do locutor do jornal das 8 que sempre começa às 9: JURIS ET DE JURI ( De direito e por direito; estabelecido por LEI como verdade; Diz-se da presunção legal que não admite prova em contráio) Mas compadre, para amarrar os marimbundos pelos sete lados, eu rezo todo dia à DEUS PAI, à N.S. de Nazaré aqui de Saquarema e à São José de Ribamar lá dos lençois maranhenses, para que um dia nos livre dessa família ou que pelo menos mandem os "MARIMBONDOS DE FOGO" pra cima deles. Copyright by Waggner Marquez - wagnermarques1@hotmail.com Saquarema/Brasil, 07 de julho de 2009.

terça-feira, 16 de junho de 2009

BOM DIA AMIGOS

Caros amigos,
Os versos, hoje, aqui publicados são frutos dos delírios da minha mente. Não
há neles pretensão literária. Acontece que enquanto alguém não providenciar
uma internação, eu continuarei delirando e escrevendo. Não necessariamente nessa ordem.
Agradeço a visita dos amigos ao Latitude Zero e, terça-feira volto escrevendo sobre a Amazônia, sobre sua complexidade geopolítica, sobre os "burrocratas" lá do planalto que só a conhecem de fotos e se metem a legislar sobre Ela, sem saberem por exemplo: Que abalo sísmico fraturou a crosta e ordenou a falha geológica que talha a tortuosa lógica da calha e equilibrada dispersão da malha dos rios - Caciporé - Jari - e Vila Nova, no Amapá.
Até lá.
Abraços.

PORTA FECHADA (RECADO II)

Segue: Versos à indigência/ Lirismo à mingua/ Poeta húmile./ Caminho-calvário/ Viagem-tormenta/ Oásis-miragem/ Verso;/ Lirismo;/ Poeta./ Mansão-exorcista/ Não os abriga./ Prossegue:/ Indigente./ Húmile./ Poeta.

D'ALÉM DAQUI (RECADO I)

Do caminho infinitamente longo/ Discretos fios de prata/ Emoldurando tua tez./ Eclosão de suave luz/ Sobre mim./ Lindo rosto;/ Meigo sorriso;/ Instante de profunda paz./ Em momento supremo/ Assim me vieste./ Certamente do ontem/ Ansioso reencontro/ Início prazeiroso do hoje./ No seguir do caminho/ Tu habitas meu existir/ Vivo à tua luz/ ...Há de ser amanhã.

terça-feira, 2 de junho de 2009

DIAS DE TRISTEZA

Há dois dias o mundo chora e lamenta pela tragédia do Air bus françês. 228 dos nossos irmãos, retornam à pátria espiritual. Rogamos em preces à JESUS, o governador do orbi, que Ele os receba amorosamente. O Latitude Zero, está deveras muito triste.

terça-feira, 26 de maio de 2009

BOLA DA VEZ

Lá estava eu, de frente para aquela imensa porta, o coração batendo levemente descompassado, pois que só agora podia medir o tamanho da ousadia que de mim se apossou. Quando numa visão celestial ela vai se abrindo suavemente, e ele em pessoa me fita como que espantado: -O que vens fazer agora, aqui, pois que ainda não é chegada tua hora? -Grande Pedro, disso eu sei, mas que tenho assunto urgente à tratar com o Pai Celestial, coisa que está acontecendo lá em baixo e que eu não consigo ficar calado, nem fazendo de conta que está tudo bem. -Então, meu filho, você vai ter de esperar um pouco, pois nem sua ficha se encontra na secretaria, posto que não eras esperado, hoje, por aqui. Os minutos se passam e eu noto que aqui a calma reina em abundância, até o relógio move seus ponteiros dolentemente. Quando já se passavam muitas horas, e eu já até pensava em voltar para minha Saquarema, e esquecer aquela estória. Eis que ele volta à minha presença e com um olhar entre o piedoso e o amoroso me fala: -O Pai Amado lhe espera, entre! Caminhei por um corredor de nuvens e luzes, que iam do azul claro ao prateado lunar, uma beleza sem igual, até que entrei numa imensa sala e, entre nuvens douradas lá estava ELE, ali, na minha frente! -Filho, que fazes aqui antes da hora? -Bendito sejas Grande Pai! Perdoe-me por importuna-lo, mas eu quero é mesmo ficar por aqui, desde já. -É claro que não podes, filho amado, ainda tens muitas coisas à fazer lá em baixo! Mas o por quê de tanta aflição? -Pai Celestial, o que me aflige é o sétimo mandamento. -Sim, mas por quê? -Amado Pai, a roubalheira esta´comendo solto lá em baixo na terra de Santa Cruz. A quadrilha oficial cada dia se faz maior, eles roubam de todas as maneiras e formas: É mensalão, dólar na cueca, cartão corporativo, cota de passagem aérea, bolsa isso, bolsa aquilo, rombo na previdência, castelo pra lá, mansão no lago Paranoá pra cá. E ninguém faz nada para botar os pilantras na cadeia. Tem um banqueiro que roubou até a caixinha de esmolas da igreja lá da rua onde ele mora, um tal de Daniel. Ai veio um federal, sujeito trabalhador de nome Protoge ... alguma coisa e meteu um par de algemas no meliante e o levou à corte. sabe o Senhor o que aconteceu? Veio um manda-chuva lá dos tribunais, mandou tirar as algemas do larápio e determinou sua soltura, e, ainda de quebra mandou processar o Protoge ..alguma coisa. Pode, Grande Pai? -É, eu fui informado dessas coisas! O Pedro me mantém ligado nesses assuntos. -Pois é, Pai amoroso, por isso eu resolvi viajar de Saquarema até aqui, para lhe contar essas coisas, e não pretendo mais voltar para o meio daqueles canalhas de novo. -Tem paciência meu filho, que uma hora dessas eles vão ter de parar! -Mas Grande Pai, é todo dia um roubo novo. Agora mesmo quando eu estava saindo lá da estação boqueirão, que é o melhor lugar que tem para se alçar voo para cá, estava sendo noticiado no jornal nacional que a Petrobras, imagina, a Petrobras! Foi tungada em algumas centenas e milhões de reais, pela turma do partido dos tungadores(pt). Essa turma não tem limites Pai, do faxineiro ao mais barbudo é tunga pra ninguém botar defeito. E eu não aguento mais Pai Celestial! -É filho, essa notícia, também, já chegou aqui em cima. Faça o seguinte meu filho: Volta lá pra tua amada vila de Saquarema, procura não ferir o mandamento, continua tua pescaria, e tenta viver em paz os dias que ainda tens. -Mas Pai, alguma coisa tem de ser feita, não dá pra continuar assim! -Bom filho, em respeito a tua boa fé, a tua boa vontade e a grande viagem que fizeste até aqui, EU vou te contar um segredo, coisa que só EU e Pedro sabemos e agora você. Entra naquela sala, ali, e lê com atenção aquele quadro negro! Naquele momento me virei para a esquerda, e vi uma porta larga e estranhamente pintada de preto, no meio daquela alvura celestial. Quando entrei vi o tal quadro negro e que me chamou à atenção, pois na parte superior estava escrito em letras de forma e bem grandes: BOLA DA VEZ. Confesso que me impressionou a organização burocrática celeste. Lá estavam todos eles devidamente listados, um a um, sem exceção: Valério, Delúbio, Dirceu, Jefferson, Genoino, Inácio, Silvinho do land hoover, o pastor da cueca, o do castelo, o da mansão, os das passagens aéreas com o dinheiro do zé povinho a ministra do cartão corporativo, o Sérgio Naia, ( sê bem que ao lado do nome deste, havia uma cruzinha, o que significa que o tal quadro é atualizado diariamente) em fim todos. Voltei para a frente do Pai e lhe disse: -Amado Deus, eu sabia que o senhor não iria deixar passar batido e me perdoe por duvidar. -Pois é meu filho, ocorre que EU estou trabalhando em outro projeto atualmente e ando meio sem tempo pra cuidar dessa turma. -...Trabalhando Pai? Lhe indaguei. -Sim filho, até hoje EU trabalho, essa história de que EU folgo todo sábado, é conversa fiada. A folha de pagamento aqui, é coisa pra mais de metro, como dizem lá nas Minas na tua terra de Santa Cruz. São centenas de milhares de Santos, Anjos, Querubins. É plano de carreira, isonomia, hora extra, férias...etc, ainda tem esse pela saco do Lúcifer que me leva uma Grana divinal, todo mês. Por isso trabalho de domingo a domingo! -Pai, mas o senhor paga salário para esse muquirana do Lúcifer? -Claro filho, eu ainda vou precisar muito dele aqui em cima. -Precisar do Lúcifer Pai? -Sim filho! -O Senhor pode me dizer para o quê? -Meu filho, quem você acha que vai tomar conta dos que estão relacionados lá no quadro negro?.... Hum. -Ah! Pai, agora eu volto mais esperançoso lá para a minha região dos lagos. -Vai em paz meu filho, ... e boa pescaria! Confesso que cheguei muito cansado da viagem, mas lembro de cada nome lá daquele quadro negro. E olha que tem nome, lá, que nem o jornal das oito sabe ainda. Copyright by Waggner Marquez- wagnermarques1@hotmail.com. P.S(post scritium) Waggner Marquez é: espírito, espírita, imperfeito e sofre de alucinações. Mas agora já está devidamente medicado e vai descansar na lagoa de jacarepiá, pescando traíra e bebendo água mineral na "toca do jacaré" à beira da lagoa, que é o bar da Lene, a cabrocha mais bela e fogosa de Vilatur. E seu médico garante que está tudo sob controle. Pelo menos até a próxima terça-feira.

terça-feira, 19 de maio de 2009

EU CONHECI UM SANTO (Lembranças da família)

Eu passei três dias na cidade grande por compromissos profissionais, e confesso que já não aguentava mais, cheguei até a sonhar com a calma que me aguardava aqui em Saquarema.

Mas, finalmente, aqui estou aqui é meu lugar!

Daqui da pedra na praia da vila, lugar que escolhi para a pescaria de hoje, bem ao lado da igreja da padroeira NAZARÉ, o panorama é deslumbrante, o mar que estoura lá em baixo cadenciada mente, levantando uma cortina de espuma salgada e refrescante. O sol que já faz quase hora se levanta preguiçoso e belo sobre nossa vila, é convite para relaxar corpo e mente.

Hoje não é só o sol que aparece preguiçoso, eu também me sinto assim. Embora sem querer me comparar com o astro rei, mas também passo por esse processo embriagante que num passe de mágica consome toda adrenalina desse saquaremense de já tantas décadas. Deixo as tralhas de lado, que pescaria hoje não tem importância, e lanço carreira para as recordações. Primeiro às mais recentes, fruto dos três dias na cidade grande, como: A noticia sobre o pessoal da área de saúde, que numa atitude muito estranha saem de seus ambientes de trabalho e vão para rua, tomam conduções e frequentam bares, lanchonetes e restaurantes com seus jalecos brancos, potencialmente contaminados numa atitude, não sei se orgulhosa. Mas com certeza, perigosa. Por que será?

Me vem a queda do nosso Caetano, lá num palco de Brasília, quando cantava "força estranha" e me recordo que "forças ocultas" já quedaram um presidente, lá mesmo nessa Brasília, um que se chamava Jânio, e não gostava de briga de galo.

Chego à década de 40 já quase num delírio, e lá me fixo numa pessoa, aliás duas: Minha avó, dona Elpídia e meu avô, seu Jerônimo, esse, um Santo!

Ó de casa...Somos nós comadre Elpídia!!

-"Jerônimo, venha logo homem lerdo, ajudar os compadres saltar dessa canoa, que tem criança de colo. Que diacho de homem mole".

-"Me dê cá esta corda compadre Antônio, e tome cuidado que este primeiro degrau tá meio podre. Tô esperando tempo bom para conserta-lo!".

-'Não se preocupa Jerônimo, que ainda sou caboclo bom das vistas e das pernas, e me diga quando chegar esse tempo bom, que eu venho lhe ajudar no conserto, homem de Deus!".

-"Precisa não compadre, que Jerônimo tá sempre esperando tempo bom. Até o dia que esse bendito trapiche cair. Comadre Florzinha vá entrando com as crianças, que acabei de amassar um alguidar de açaí e tem peixe salgado do bom, do que vocês gostam: Gorijuba e mapará".

Isso foi há muito tempo, muito tempo mesmo, lá pelas bandas do Moju no estado do Pará perto do meu Amapá perto da minha latitude zero, onde os caminhos são os rios e as conoas, caícos e ubás, são os meios de transporte.

Dona Elpídia de Oliveira Marquez, minha avó, apenas minha avó. cabocla de descendência indígena, também do Moju, mulher decidida e sagaz, bem escolarizada, falando e escrevendo o português, o francês e o esperanto, coisa que até hoje eu não sei onde ele aprendeu, pois que lá por àquelas bandas nem escola havia. Boa no trabalho, na diversão e na encrenca. Viúva de Emigdio Marquez Nevanes, meu avô, militar, espanhol falecido logo depois da segunda grande guerra. Havia, ela, vivido anos dentro do regime de disciplina da caserna, e agora se via com três meninas e um menino para criar, sem pai e apenas com a renda de dez estradas de borracha, que lhe ficou do seu marido militar, e que agora tinha de levar pra frente, sozinha. É quando entra em nossas vidas seu Jerônimo Antônio, meu avô, quase meu avô...ah se fosse meu avô!

Jerônimo Antônio...Esse era seu nome, aliás um pouco maior, mas eu realmente não consigo me lembrar. Um negro entre o alto e o baixo, estatura média, pele reluzente, cabelos lisos e sedosos, sorriso largo, olhar generoso, braços de amigo, e coração de Santo, assim como os Santos lá do céu. Nascido lá pelas bandas do Moju, no Pará, em ano que eu também não lembro bem. Seu Jerônimo era um plantador de flores, trabalho que lá por aqueles cantos era de se admirar. Esmolava com São Benedito ao colo à frente de uma folia quando se aproximava o mês da festa do Santo que é lá pelos tempos de março,... abril, angariando fundos para os festejos. E essa imagem tenho gravada até hoje: A folia indo de casa em casa, àquela música e àquelas cantorias que pareciam sair da boca dos anjos. Coisa que minha avó confirmava como verdade, e eu até hoje acredito.

-"Dá licença senhora, permita que São Benedito entre neste lar!"

-"Se achegue compadre, pois que nós estamos esperando a visita do Santo faz é dias".

-"Em nome de Deus, Jesus e são Benedito, vamos cantar neste lar...E assim seguiam-se rezas e cantorias divinas n'aquele lar feliz. Viola, violão, reco-reco de bambu, cavaquinho, pandeiro, tambor, vozes entoadas em primeira e segunda, sinfonia brejeira e cabolcla. Mas divinal.

-"E agora comadre, que nada seja por obrigação mas que seja por amor e devoção. Se a Senhora for fazer alguma oferta para a festa do Santo, que seja assim: Se o óbulo for dado em moeda, que seja entregue ao compadre Zé Pará, que vai lançar escritura em livro próprio; Se for em víveres, cabrito, porco, pato, galinha ou boi, que seja entregue na casa dos festejos, até cinco dias antes da primeira ladainha. E se for ajuda de serviço, que seja combinado com comadre Mariazinha. De qualquer forma que o tratado se cumpra lá pra perto da festa, pois que agora não precisamos de nada. E que Deus lhe pague e encha esta casa de felicidade e paz. E assim seu Jerônimo esmolava trinta, quarenta dias por àquelas ruas d'aquele interior, lá do Pará, com a mesma emoção, com a mesma devoção.

Duma feita ao chegarem a frente de uma residência e após o pedido formal para apresentação da folia, receberam resposta não muito amiga.

-"Retire-se de minha porta com esta bobagem se Santo, pois que Santo preto não devia de existir sequer, e não vai ser na minha casa que ele vai entrar!" (Pois que São Benedito e preto que nem carvão). Seu Jerônimo que era tão Santo quanto o que carregava em seu colo, e também negro, ajoelhou-se em plena terra d'aquele terreiro, em frente d'aquela casa, no que foi seguidos pelos de sua folia, e por mais de meia hora rezaram em baixa voz por aquela que lhes tinha dado a mal resposta. Sem perder a razão com emoção e a paciência divinal.

Assim era meu avô, quase meu avô ...ah se fosse meu avô.

Desperto do meu devaneio, atordoado e saudoso e fito para acima a presença de um amigo, pescador, que só conheço pelo apelido de Velho e que me perscruta: Home de Deus cê ainda não pescou nadinha hoje?

Abro melhor os olhos míopes nesta linda manhã aqui na beira do atlântico, minh' Alma indisfarçávelmte sorridente lhe responde por minha boca humana.

-"E precisava?!!......"

Copyright by Waggner Marquez - wagnermarques1@hotmail.com

Saquarema, 18 de maio de 2009 - na beira do atlântico.

terça-feira, 12 de maio de 2009

SAI PRA LÁ COMPANHEIRO LULA.

Rio de janeiro, 12 de maio de 2009 SAI PRA LÁ COMPANHEIRO LULA. Acordo pontualmente às três da madrugada, afinal costumo cair na cama bem cedo como todo bom homem da roça. Isso não é uma regra, mas são poucas as exceções. Aqui em Saquarema, a madrugada na praia é algo fantástico. O céu estrelado, descaindo lá longe sobre o mar me fascina e a qualquer um que esteja lá para apreciar, e que não são poucos. Pois por se tratar de reduto de pescadores, a melhor hora para começar a lida diária é logo cedinho assim. E quando a lua vem derramar seu prateado por nossa cidade. Aí não tem maneira de contar tanta beleza. Hoje é uma dessas madrugadas extasiantes, já beira às quatro e mesmo aos meus olhos míopes e já tão acostumados, é possível vislumbrar o vasto areal em direção à Jaconé, outra pedra preciosa dessa semi-coroa que começa lá para as bandas de Pitangas, Villatur, itaúna e vem rasgando em nossa direção com tanta formosura. Enquanto preparo linhas e anzóis que vou içar ao mar, na tentativa de manter minha fama de pescador, pelo menos, mais ou menos. Visto que, atualmente, até bagres tem me deixado de samburá vazio. Começo a matutar sobre um sonho, quase pesadelo que se apossou de mim horas atrás. Eu proseava com amigos, sobre política, quando um deles me fez esta indagação: Olha aqui compahneiro, por quê oce num se candidata aí a um cargo desses de vereador por nossa cidade, oce sabe de tudo um pouco, ia dar um bom político! Eu, confesso que na hora me agradei da ideia, num lampejo comecei a matutar: Imagina eu com esse meu pobre QI 142, o máximo que chegaria na tal política era a presidente dos States, mas isso não me pareceu muito bom. Deve ser muito chato você acordar às três da matina, e tá lá um "mariner" pagando uma surrada continência e perguntado tendencioso: Vai começar a "guerra" mais cedo hoje, presidente? E eu sem muito ânimo lhe indago, onde será? No que o homem com um sorriso matreiro e olhos faiscando de prazer me traz um mapa do planeta junta os "cascos" à minha frente e fala quase babando: Onde o senhor quiser! Bom, imagino eu, até que não seria mau soltar umas bombinhas ali pelas bandas do oriente, no tal do Iran, naqueles pela saco da Palestina no tal do Osama. Mas depois que eu fiz, barba, cabelo e bigode do Sadan, confesso que a brincadeira ficou meio sem graça. Meu oficial te tantas estrelas e já meio impaciente, me aponta para o outro lado do mapa, e pergunta: E para essas bandas? ...Arregalo os olhos e, ...confesso com um certo e secreto prazer. É... esse tal de Hugo tá merecendo mesmo! Mas isso seria muito chato, já imaginou àquele sapo barbudo(como diria Brizola), descendo do seu aéro-lula, me apontando de uma só vez seus quatro dedos: Camarada presidente, nunca na história desse pais, você pede pensar no que está pensando. "Eu mesmo, que sou rei nessas parte de baixo do mapa, já dei uma Petrobras, uma Petrogas, para que não tenha briga entre nos. Aqui é tudo paz e amor, até tsunami vira marolinha, carnaval começa em janeiro e só pára em 08 de setembro pra festa da padroeira, salário mínimo vai pra $ 512. e tô mandando asfaltá todas as ruas do Boqueirão ao gravatá. Eu, já meio desesperado nesses 100 dias de cargo, aproveito para botar os pingos nos íis, e lhe reTRUCO: "-Mister pato rouco, você baixe essa sua bola, quando eu disse que tu era "o cara", foi que eu me enganei, eu não donimar bem o língua protugês. O que eu querer dizer é que tu és o cara...de pau; O cara ...de bobo; O cara...aliás, o maior cabeça de bagre da história desse país. Meu oficial de tantas estrelas, já desapontado com a minha falta de espírito guerreiro, bate em retirada me deixando só naquela imensa casa branca, já quase despertando desse sonhoentediante. Já passa das cinco, e este sol que só dá por aqui, avança para mais um dia mágico e único. Agora vou para casa, lavar as tralhas da pescaria zero, tomar um bom banho com água de poço, tomar um bom café, ver como anda a disposiçao da patroa, afinal que hoje é dia marcado na folinha! Aqui em saquarema é assim: Todo dia é lindo ...e tem cada sonho....Só uma coisa eu ainda não entendi direito. Por quê àquele mapa do meu oficial tava cheio de cruzinhas vermelhas? Eu heim, sai pra lá companheiro Lula! Copyright by Waggner Marquez - www.wagnermarques1@hotmail.com Saquarema, 12 de maio de 2009.