sábado, 5 de março de 2011
VAMOS CAIR NA FOLIA
terça-feira, 7 de julho de 2009
JURIS ET DE JURI
terça-feira, 16 de junho de 2009
BOM DIA AMIGOS
PORTA FECHADA (RECADO II)
D'ALÉM DAQUI (RECADO I)
terça-feira, 2 de junho de 2009
DIAS DE TRISTEZA
terça-feira, 26 de maio de 2009
BOLA DA VEZ
Lá estava eu, de frente para aquela imensa porta, o coração batendo levemente descompassado, pois que só agora podia medir o tamanho da ousadia que de mim se apossou. Quando numa visão celestial ela vai se abrindo suavemente, e ele em pessoa me fita como que espantado: -O que vens fazer agora, aqui, pois que ainda não é chegada tua hora? -Grande Pedro, disso eu sei, mas que tenho assunto urgente à tratar com o Pai Celestial, coisa que está acontecendo lá em baixo e que eu não consigo ficar calado, nem fazendo de conta que está tudo bem. -Então, meu filho, você vai ter de esperar um pouco, pois nem sua ficha se encontra na secretaria, posto que não eras esperado, hoje, por aqui. Os minutos se passam e eu noto que aqui a calma reina em abundância, até o relógio move seus ponteiros dolentemente. Quando já se passavam muitas horas, e eu já até pensava em voltar para minha Saquarema, e esquecer aquela estória. Eis que ele volta à minha presença e com um olhar entre o piedoso e o amoroso me fala: -O Pai Amado lhe espera, entre! Caminhei por um corredor de nuvens e luzes, que iam do azul claro ao prateado lunar, uma beleza sem igual, até que entrei numa imensa sala e, entre nuvens douradas lá estava ELE, ali, na minha frente! -Filho, que fazes aqui antes da hora? -Bendito sejas Grande Pai! Perdoe-me por importuna-lo, mas eu quero é mesmo ficar por aqui, desde já. -É claro que não podes, filho amado, ainda tens muitas coisas à fazer lá em baixo! Mas o por quê de tanta aflição? -Pai Celestial, o que me aflige é o sétimo mandamento. -Sim, mas por quê? -Amado Pai, a roubalheira esta´comendo solto lá em baixo na terra de Santa Cruz. A quadrilha oficial cada dia se faz maior, eles roubam de todas as maneiras e formas: É mensalão, dólar na cueca, cartão corporativo, cota de passagem aérea, bolsa isso, bolsa aquilo, rombo na previdência, castelo pra lá, mansão no lago Paranoá pra cá. E ninguém faz nada para botar os pilantras na cadeia. Tem um banqueiro que roubou até a caixinha de esmolas da igreja lá da rua onde ele mora, um tal de Daniel. Ai veio um federal, sujeito trabalhador de nome Protoge ... alguma coisa e meteu um par de algemas no meliante e o levou à corte. sabe o Senhor o que aconteceu? Veio um manda-chuva lá dos tribunais, mandou tirar as algemas do larápio e determinou sua soltura, e, ainda de quebra mandou processar o Protoge ..alguma coisa. Pode, Grande Pai? -É, eu fui informado dessas coisas! O Pedro me mantém ligado nesses assuntos. -Pois é, Pai amoroso, por isso eu resolvi viajar de Saquarema até aqui, para lhe contar essas coisas, e não pretendo mais voltar para o meio daqueles canalhas de novo. -Tem paciência meu filho, que uma hora dessas eles vão ter de parar! -Mas Grande Pai, é todo dia um roubo novo. Agora mesmo quando eu estava saindo lá da estação boqueirão, que é o melhor lugar que tem para se alçar voo para cá, estava sendo noticiado no jornal nacional que a Petrobras, imagina, a Petrobras! Foi tungada em algumas centenas e milhões de reais, pela turma do partido dos tungadores(pt). Essa turma não tem limites Pai, do faxineiro ao mais barbudo é tunga pra ninguém botar defeito. E eu não aguento mais Pai Celestial! -É filho, essa notícia, também, já chegou aqui em cima. Faça o seguinte meu filho: Volta lá pra tua amada vila de Saquarema, procura não ferir o mandamento, continua tua pescaria, e tenta viver em paz os dias que ainda tens. -Mas Pai, alguma coisa tem de ser feita, não dá pra continuar assim! -Bom filho, em respeito a tua boa fé, a tua boa vontade e a grande viagem que fizeste até aqui, EU vou te contar um segredo, coisa que só EU e Pedro sabemos e agora você. Entra naquela sala, ali, e lê com atenção aquele quadro negro! Naquele momento me virei para a esquerda, e vi uma porta larga e estranhamente pintada de preto, no meio daquela alvura celestial. Quando entrei vi o tal quadro negro e que me chamou à atenção, pois na parte superior estava escrito em letras de forma e bem grandes: BOLA DA VEZ. Confesso que me impressionou a organização burocrática celeste. Lá estavam todos eles devidamente listados, um a um, sem exceção: Valério, Delúbio, Dirceu, Jefferson, Genoino, Inácio, Silvinho do land hoover, o pastor da cueca, o do castelo, o da mansão, os das passagens aéreas com o dinheiro do zé povinho a ministra do cartão corporativo, o Sérgio Naia, ( sê bem que ao lado do nome deste, havia uma cruzinha, o que significa que o tal quadro é atualizado diariamente) em fim todos. Voltei para a frente do Pai e lhe disse: -Amado Deus, eu sabia que o senhor não iria deixar passar batido e me perdoe por duvidar. -Pois é meu filho, ocorre que EU estou trabalhando em outro projeto atualmente e ando meio sem tempo pra cuidar dessa turma. -...Trabalhando Pai? Lhe indaguei. -Sim filho, até hoje EU trabalho, essa história de que EU folgo todo sábado, é conversa fiada. A folha de pagamento aqui, é coisa pra mais de metro, como dizem lá nas Minas na tua terra de Santa Cruz. São centenas de milhares de Santos, Anjos, Querubins. É plano de carreira, isonomia, hora extra, férias...etc, ainda tem esse pela saco do Lúcifer que me leva uma Grana divinal, todo mês. Por isso trabalho de domingo a domingo! -Pai, mas o senhor paga salário para esse muquirana do Lúcifer? -Claro filho, eu ainda vou precisar muito dele aqui em cima. -Precisar do Lúcifer Pai? -Sim filho! -O Senhor pode me dizer para o quê? -Meu filho, quem você acha que vai tomar conta dos que estão relacionados lá no quadro negro?.... Hum. -Ah! Pai, agora eu volto mais esperançoso lá para a minha região dos lagos. -Vai em paz meu filho, ... e boa pescaria! Confesso que cheguei muito cansado da viagem, mas lembro de cada nome lá daquele quadro negro. E olha que tem nome, lá, que nem o jornal das oito sabe ainda. Copyright by Waggner Marquez- wagnermarques1@hotmail.com. P.S(post scritium) Waggner Marquez é: espírito, espírita, imperfeito e sofre de alucinações. Mas agora já está devidamente medicado e vai descansar na lagoa de jacarepiá, pescando traíra e bebendo água mineral na "toca do jacaré" à beira da lagoa, que é o bar da Lene, a cabrocha mais bela e fogosa de Vilatur. E seu médico garante que está tudo sob controle. Pelo menos até a próxima terça-feira.
terça-feira, 19 de maio de 2009
Eu passei três dias na cidade grande por compromissos profissionais, e confesso que já não aguentava mais, cheguei até a sonhar com a calma que me aguardava aqui em Saquarema.
Mas, finalmente, aqui estou aqui é meu lugar!
Daqui da pedra na praia da vila, lugar que escolhi para a pescaria de hoje, bem ao lado da igreja da padroeira NAZARÉ, o panorama é deslumbrante, o mar que estoura lá em baixo cadenciada mente, levantando uma cortina de espuma salgada e refrescante. O sol que já faz quase hora se levanta preguiçoso e belo sobre nossa vila, é convite para relaxar corpo e mente.
Hoje não é só o sol que aparece preguiçoso, eu também me sinto assim. Embora sem querer me comparar com o astro rei, mas também passo por esse processo embriagante que num passe de mágica consome toda adrenalina desse saquaremense de já tantas décadas. Deixo as tralhas de lado, que pescaria hoje não tem importância, e lanço carreira para as recordações. Primeiro às mais recentes, fruto dos três dias na cidade grande, como: A noticia sobre o pessoal da área de saúde, que numa atitude muito estranha saem de seus ambientes de trabalho e vão para rua, tomam conduções e frequentam bares, lanchonetes e restaurantes com seus jalecos brancos, potencialmente contaminados numa atitude, não sei se orgulhosa. Mas com certeza, perigosa. Por que será?
Me vem a queda do nosso Caetano, lá num palco de Brasília, quando cantava "força estranha" e me recordo que "forças ocultas" já quedaram um presidente, lá mesmo nessa Brasília, um que se chamava Jânio, e não gostava de briga de galo.
Chego à década de 40 já quase num delírio, e lá me fixo numa pessoa, aliás duas: Minha avó, dona Elpídia e meu avô, seu Jerônimo, esse, um Santo!
Ó de casa...Somos nós comadre Elpídia!!
-"Jerônimo, venha logo homem lerdo, ajudar os compadres saltar dessa canoa, que tem criança de colo. Que diacho de homem mole".
-"Me dê cá esta corda compadre Antônio, e tome cuidado que este primeiro degrau tá meio podre. Tô esperando tempo bom para conserta-lo!".
-'Não se preocupa Jerônimo, que ainda sou caboclo bom das vistas e das pernas, e me diga quando chegar esse tempo bom, que eu venho lhe ajudar no conserto, homem de Deus!".
-"Precisa não compadre, que Jerônimo tá sempre esperando tempo bom. Até o dia que esse bendito trapiche cair. Comadre Florzinha vá entrando com as crianças, que acabei de amassar um alguidar de açaí e tem peixe salgado do bom, do que vocês gostam: Gorijuba e mapará".
Isso foi há muito tempo, muito tempo mesmo, lá pelas bandas do Moju no estado do Pará perto do meu Amapá perto da minha latitude zero, onde os caminhos são os rios e as conoas, caícos e ubás, são os meios de transporte.
Dona Elpídia de Oliveira Marquez, minha avó, apenas minha avó. cabocla de descendência indígena, também do Moju, mulher decidida e sagaz, bem escolarizada, falando e escrevendo o português, o francês e o esperanto, coisa que até hoje eu não sei onde ele aprendeu, pois que lá por àquelas bandas nem escola havia. Boa no trabalho, na diversão e na encrenca. Viúva de Emigdio Marquez Nevanes, meu avô, militar, espanhol falecido logo depois da segunda grande guerra. Havia, ela, vivido anos dentro do regime de disciplina da caserna, e agora se via com três meninas e um menino para criar, sem pai e apenas com a renda de dez estradas de borracha, que lhe ficou do seu marido militar, e que agora tinha de levar pra frente, sozinha. É quando entra em nossas vidas seu Jerônimo Antônio, meu avô, quase meu avô...ah se fosse meu avô!
Jerônimo Antônio...Esse era seu nome, aliás um pouco maior, mas eu realmente não consigo me lembrar. Um negro entre o alto e o baixo, estatura média, pele reluzente, cabelos lisos e sedosos, sorriso largo, olhar generoso, braços de amigo, e coração de Santo, assim como os Santos lá do céu. Nascido lá pelas bandas do Moju, no Pará, em ano que eu também não lembro bem. Seu Jerônimo era um plantador de flores, trabalho que lá por aqueles cantos era de se admirar. Esmolava com São Benedito ao colo à frente de uma folia quando se aproximava o mês da festa do Santo que é lá pelos tempos de março,... abril, angariando fundos para os festejos. E essa imagem tenho gravada até hoje: A folia indo de casa em casa, àquela música e àquelas cantorias que pareciam sair da boca dos anjos. Coisa que minha avó confirmava como verdade, e eu até hoje acredito.
-"Dá licença senhora, permita que São Benedito entre neste lar!"
-"Se achegue compadre, pois que nós estamos esperando a visita do Santo faz é dias".
-"Em nome de Deus, Jesus e são Benedito, vamos cantar neste lar...E assim seguiam-se rezas e cantorias divinas n'aquele lar feliz. Viola, violão, reco-reco de bambu, cavaquinho, pandeiro, tambor, vozes entoadas em primeira e segunda, sinfonia brejeira e cabolcla. Mas divinal.
-"E agora comadre, que nada seja por obrigação mas que seja por amor e devoção. Se a Senhora for fazer alguma oferta para a festa do Santo, que seja assim: Se o óbulo for dado em moeda, que seja entregue ao compadre Zé Pará, que vai lançar escritura em livro próprio; Se for em víveres, cabrito, porco, pato, galinha ou boi, que seja entregue na casa dos festejos, até cinco dias antes da primeira ladainha. E se for ajuda de serviço, que seja combinado com comadre Mariazinha. De qualquer forma que o tratado se cumpra lá pra perto da festa, pois que agora não precisamos de nada. E que Deus lhe pague e encha esta casa de felicidade e paz. E assim seu Jerônimo esmolava trinta, quarenta dias por àquelas ruas d'aquele interior, lá do Pará, com a mesma emoção, com a mesma devoção.
Duma feita ao chegarem a frente de uma residência e após o pedido formal para apresentação da folia, receberam resposta não muito amiga.
-"Retire-se de minha porta com esta bobagem se Santo, pois que Santo preto não devia de existir sequer, e não vai ser na minha casa que ele vai entrar!" (Pois que São Benedito e preto que nem carvão). Seu Jerônimo que era tão Santo quanto o que carregava em seu colo, e também negro, ajoelhou-se em plena terra d'aquele terreiro, em frente d'aquela casa, no que foi seguidos pelos de sua folia, e por mais de meia hora rezaram em baixa voz por aquela que lhes tinha dado a mal resposta. Sem perder a razão com emoção e a paciência divinal.
Assim era meu avô, quase meu avô ...ah se fosse meu avô.
Desperto do meu devaneio, atordoado e saudoso e fito para acima a presença de um amigo, pescador, que só conheço pelo apelido de Velho e que me perscruta: Home de Deus cê ainda não pescou nadinha hoje?
Abro melhor os olhos míopes nesta linda manhã aqui na beira do atlântico, minh' Alma indisfarçávelmte sorridente lhe responde por minha boca humana.
-"E precisava?!!......"
Copyright by Waggner Marquez - wagnermarques1@hotmail.com
Saquarema, 18 de maio de 2009 - na beira do atlântico.
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